21 de outubro de 1645

De Diogo Pinheiro Camarão para Bartezar Araberana

Tradução da carta de Diogo Pinheiro Camarão para Bartezar Araberana

Pelo Prof. Dr. Eduardo Navarro (USP)

Que o Senhor Deus esteja com vocês, dando-lhes saúde, ó senhores capitães.
Eu estou muito feliz, perguntando se vocês estão bem. Eu, na verdade, também não estou mal.
Enviei estas minhas palavras a vocês quatro, ó capitães Baltazar Araberana, Gaspar Cararu, Pedro Valadina e Jandaia, para que vocês façam as coisas necessárias. Deste modo, envio-lhes estas minhas palavras.
O Capitão-Mor Dom Antônio Felipe Camarão fez-me vir de novo aqui à Paraíba por causa de vocês. Ele me disse, quando me fez vir, que eu escrevesse uma carta para lhes enviar. Ele me disse que, ao mandar a carta, eu lhes perguntasse se vocês querem sair para junto de nós e que nós viríamos para isso.
Assim, eu envio a vocês esta carta. Eu não faço isto por maldade.
Por que vocês fogem de nós? Acaso vocês não são nossos parentes?
Respondam a esta minha carta. Por que será que nos afastaremos tanto, sendo parentes uns dos outros? Acaso,
com este nosso modo de agir, não estaremos pecando?
Respondam a esta minha carta. Se vocês não se importarem comigo, dizendo “não”, então eu vou levar em conta o que vocês fazem. Se vocês disserem “não”, eu não vou me interessar mais por vocês, não vou me preocupar mais com vocês, ó senhores capitães.
Vocês, como cristãos, estão doentes. Agora, para sua desgraça, estão muito vulneráveis. Antigamente vocês eram cristãos, mas deixaram, infelizmente, de amar ao Senhor Deus.
Vão somente estas notícias.
O Senhor Deus esteja com vocês.

Hoje, 21 de outubro de 1645.
Do seu amigo e parente legítimo,
Sargento-Mor Dom Diogo Pinheiro Camarão.

NATIONAAL ARCHIEF. De Diogo Pinheiro Camarão para Bartezar Araberana. Disponível em: https://www.nationaalarchief.nl/onderzoeken/archief/1.05.01.01/invnr/62/file/NL-HaNA_1.05.01.01_62_54_0002. Acesso em: 01 de novembro de 2024.

NAVARRO, Eduardo de Almeida. Transcrição e tradução integral anotada das cartas dos índios Camarões, escritas em 1645 em tupi antigo. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 17, p. e20210034, 2022.

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