Denilson

Denilson Baniwa

Denilson Baniwa (nascido em 1984, no Amazonas) é artista visual, curador e artivista indígena, cuja obra denuncia as violências produzidas e propagadas pelo Estado contra os povos indígenas e questiona as imposições culturais sofridas por eles. Através da pintura, performance, colagem digital, vídeo e instalações interativas, Denilson articula técnicas, tecnologias e histórias do povo Baniwa em suas produções, promovendo reflexões sobre a presença indígena no mundo contemporâneo.

Em 2018, na obra Pajé-onça, performatizou um outro modo de pensar as antropofagias do presente, satirizando e questionando a relação entre indígenas e não-indígenas — “comer novamente, sem usar os talheres franceses” tornou-se uma marca de seu trabalho, que mistura crítica social, humor e ancestralidade.

Além de sua prática artística, Denilson atuou como curador no Mekukradjá (2016–2019), evento que reuniu ciclos de debates sobre culturas indígenas, e participou de exposições e residências em importantes espaços nacionais e internacionais. Entre elas, destacam-se: a 35ª Bienal de São Paulo (2023), com ações coletivas que envolveram a colheita de milho no Pavilhão da Bienal; a ocupação do Octógono da Pinacoteca de São Paulo com a instalação Escola Panapaná (2023), sendo o primeiro indígena a realizar tal ocupação; exposições internacionais em museus como Kunsthalle Wien, Getty Research Institute, Art Basel Miami Beach, Museu Peltz (Londres) e Princeton University Art Museum (2024).

Denilson também produziu a carta-imagem da capa do livro Cartas Para o Bem Viver (2021) e divulga suas produções nas redes sociais, unindo o político e o artístico para afirmar a presença e identidade dos povos indígenas. Reconhecido como um dos principais artistas do cenário nacional, foi vencedor do PIPA Online 2019 e indicado à edição de 2021 do prêmio, consolidando-se como referência no protagonismo indígena na arte contemporânea brasileira.

Recentemente, Denilson ampliou sua atuação como curador, participando da co-curadoria de ARCOmadrid 2025 com o projeto Wametisé: Ideias para um Amazofuturismo, promovendo visibilidade à arte indígena amazônica, e curando exposições como Terra Brasilis: o agro não é pop! e Nakoada: Estratégias para a arte moderna. Sua prática combina performance, pintura, projeções a laser, colagem digital, instalação e vídeo, sempre conectada à ancestralidade, à cosmologia indígena e à crítica social contemporânea.

Denilson Baniwa continua consolidando uma trajetória singular, integrando criação artística, curadoria e ativismo digital, reafirmando o protagonismo indígena e a urgência das narrativas originárias na arte contemporânea.

As Cartas de Denilson Baniwa