Ailton Krenak é um ativista, ambientalista, escritor e líder indígena brasileiro, nascido em 29 de setembro de 1953, em Itabirinha, Minas Gerais, na região do Médio Rio Doce. Permaneceu em sua terra natal até a adolescência e, aos 17 anos, mudou-se com a família para o Paraná, onde foi alfabetizado aos 18 anos. Mais tarde, tornou-se jornalista e produtor gráfico.
Por volta de 1980, já na vida adulta, passou a se dedicar integralmente ao ativismo e à luta pelos direitos dos povos indígenas, articulando movimentos e organizações em defesa dessas causas. Em 1985, fundou o Núcleo de Cultura Indígena, uma ONG localizada na Serra do Cipó, em Minas Gerais. No ano seguinte, participou da Assembleia Nacional Constituinte, contribuindo para a formulação da Constituição Brasileira de 1988 e destacando a importância da valorização dos povos indígenas.
Ao longo de sua trajetória, Krenak se consolidou como uma referência intelectual, refletindo sobre a relação entre sociedade, cultura e meio ambiente, questionando modelos de desenvolvimento e propondo novas formas de pensar o futuro. Entre suas obras mais conhecidas estão O Lugar Onde a Terra Descansa (2000), Ideias para Adiar o Fim do Mundo (2019), O Amanhã Não Está à Venda (2020), A Vida Não É Útil (2020), Lugares de Origem (2021, em coautoria com Yussef Campos), Futuro Ancestral (2022) e Um Rio, Um Pássaro (2023). Seus livros foram traduzidos para diversos idiomas e reforçam a urgência de repensar relações sociais, culturais e ambientais.
Em 2016, recebeu o título de Professor Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e em 2023 tornou-se o primeiro indígena a ingressar na Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 5. Sua trajetória combina ativismo, produção intelectual e defesa dos direitos indígenas, inspirando novas formas de pensar o mundo contemporâneo e os desafios que ele apresenta.