17 de outubro de 1645

De Diogo da Costa para Pedro Poti

Tradução da carta de De Diogo da Costa para Pedro Poti

Pelo Prof. Dr. Eduardo Navarro (USP)

Que o próprio Deus chegue com minha cartinha para tua salvação, ó meu irmãozinho Pedro Poti. Enviamos a ti também essa minha cartinha.
De que tens ressentimentos? Nós nos dividimos ao meio. De que te ressentes?
Vem, saindo daí. Há já algum tempo estou ficando cansado de ti. Teu primo também, o Capitão-Mor também e, mais ainda, teu irmãozinho, o Sargento-Mor.
Sai, sem pensar mais, assim que leres esta minha carta. Por que estás gostando dos homens maus? E de mim tu não gostas? Por quê?
Dizendo-me que te enganam, que eu certamente sou um deles, repelindo-me, tu terias afeto por mim?
Não te contarei que os portugueses se importam contigo? O chefe dos portugueses quer muito a tua saída. Todos os portugueses da Paraíba ficariam muito felizes se viessem aqueles que se rendessem contigo.
Se tua saída for difícil, manda algum índio para me informar disso, e eu vou para te retirar. Ou, então, avisa-me por um sinal teu. O chefe quer dar-te, por tua saída, algo muito grandioso. Vem, saindo daí. Tu não gostas de mim?
Morreu teu irmão mais novo, Lippe Tocaia; nossa mãe morreu no Muçuí.
Somente isso te digo, ó meu irmão mais novo.

Teu irmão mais velho, Capitão Diogo da Costa.
Hoje, dezessete de outubro de 1645.

Fonte: NATIONAAL ARCHIEF. De Diogo da Costa para Pedro Poti. Disponível em: https://www.nationaalarchief.nl/onderzoeken/archief/1.05.01.01/invnr/62/file/NL-HaNA_1.05.01.01_62_56_0001. Acesso em: 01 de novembro de 2024.

NAVARRO, Eduardo de Almeida. Transcrição e tradução integral anotada das cartas dos índios Camarões, escritas em 1645 em tupi antigo. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 17, p. e20210034, 2022.

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