Aldeia Sagarana – 15 de janeiro de 2006

Dos povos Oro Wari’, Canoé e Macurap para o Brasil

Nós, indígenas dos povos Oro Wari´, Canoé e Macurap da comunidade indígena Sagarana no município de Guajará-Mirim (RO) queremos manifestar nosso apoio a toda comunidade de Nhanderu Marangatu e a todo povo Guarani Kaiowá que foi vítima mais uma vez de uma grande injustiça, talvez a maior que existiu nestes últimos anos. A decisão do Ministro Nelson Jobim que deu reintegração de posse ao fazendeiro em cima de uma terra demarcada e homologada agrediu não somente a comunidade de Nhanderu Marangatu como a todos os povos indígenas do Brasil. Através dessa atitude, o Ministro criou um precedente muito grave que ameaça a todos nós, deixando as terras indígenas a mercê dos interesses econômicos do país. Ficamos pensando: como os interesses desse fazendeiro podem passar acima de 500 pessoas que estão na sua terra já regularizada e de direito garantido pela Constituição Federal?

Em nosso estado quando os povos indígenas precisam de proteção da polícia federal, a resposta é sempre a mesma: faltam policiais, meio de transporte, combustível…mas para expulsar vocês, parentes, de sua terra, não foi difícil para a justiça encontrar 200 policiais federais, “armados até os dentes”.

Por outro lado sentimos orgulho de ser indígenas quando vocês responderam à brutalidade policial com rezas e rituais, à ignorância dos responsáveis deste país, com frases profundas e sensatas, escritas por suas crianças em vários cartazes.

Como se não bastasse toda a agressão policial, os fazendeiros se sentindo amparados pela “injustiça” e movidos pelo ódio, não se contentaram em ver vocês expulsos de sua terra com suas casas queimadas e suas roças destruídas, ainda tiveram a coragem de derramar o sangue de seu parente na véspera de Natal.

Como acreditamos que um outro mundo é possível, temos esperança que o Brasil e o mundo todo façam pressão em cima dos governantes para reverter essa situação.

Queremos dizer ainda aos parentes de Nhanderu Marangatu que podem contar com o nosso apoio e nossas forças para que juntos possamos buscar a Terra sem Males.

Viva Marçal! Viva os Guarani! Viva Nhanderu Marangatu e viva todos os povos indígenas do Brasil!

Abaixo assinamos:

Nimon Oro Eo

Candido Canoé

Co´Um Oro Mon

Rita Cao Oro Waje

Margarete Ororamxijein

Elias Arowá

Maxun Oromon

Awo Xohara Oromon

Cristiane Oro Eo

Cledison Oro Eo

Cristina Ororamxijein

Daniel Oro Eo

Celso Oro Eo

Paulo Oro Mon

Janete Oro Nao´

´Tuparai oro Mon

Orowao Jein Ororamxijein

Filó Oro Mon

Nilson wem Ororamxijein

Genildo Nimon Cao orowaje

Tem Xico Ororam Xijein

Edmilson Ororam Xijein

Harem Tapaxi Oro mon

Genilson Cao Orowaje

Isaac Oro Mon

Maxun Jam A Cao Orowaje

Patokwe Cao Orowaje

Jambiana Canoé

Fabiola Arowá

Marciana Oro Mon

Francelina Oro Mon

Tiaré Oro Mon

Adaildo Oro Nao´

Cláudio Oro Eo

Wem Cacami Canoé

Jenailde Tompan Cao Orowaye

Orowao Xiao Oro Mon

Carlos Oro Mon

Jefferson Oro Nao´

Mai Ororam Xijein

Nacom Arowá

Wem Cacami Cao Orowaje

Wem Prawan Oro mon

Maria Eva Canoé

Jap Mete Oro Mon

Ariram Cao orowaje

Fonte: https://cimi.org.br/2006/01/24336/

NOTA EXPLICATIVA SOBRE A FONTE:

O primeiro levantamento das cartas escritas por povos indígenas, referentes ao período entre 2000 e 2007, foi realizado em 2013. Na ocasião, os documentos estavam disponíveis em sites de organizações indígenas, blogs e outras plataformas digitais mantidas por grupos indígenas. Entretanto, muitos desses domínios deixaram de existir. Atualmente, o único acesso digital consolidado a esses documentos é por meio do sítio Cartas dos Povos Indígenas ao Brasil. Cabe destacar que, especialmente para os anos de 2000 e 2001, algumas fontes originais não puderam ser recuperadas.

SOBRE ESTA CARTA:

A publicação preserva a autoria e a fonte de origem do documento, sempre que essas informações estão disponíveis.
Caso algum autor, comunidade, organização ou titular de direitos deseje solicitar atualização, correção ou remoção de conteúdo, pedimos que entre em contato pelo e-mail cartasindigenas@gmail.com. As solicitações serão analisadas com atenção.

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