Palavras sobre o crescimento da malária no Parawau A malária voltou a surgir na nossa terra-floresta.
No Maxapipi, Etewexipi [nomes de comunidades do sub-pólo] e também entre aqueles que vivem próximos ao posto o mal da malária cresceu muito rapidamente.
Na região do Parawau aqueles que matam os mosquitos carapanãs [agentes de endemia] não trabalham muito por isso a malária tornou a crescer fortemente. Nós Yanomami queremos pedir às lideranças da Funasa ações para acabar com os carapanãs, corretamente e em larga escala.
Vocês [da Funasa] não devem usar a toa este dinheiro destinado a nós, Yanomami, ao enviarem esses brancos que não trabalham.
Nós Yanomami queríamos ficar felizes ao escolhermos por vocês da Funasa. Quando vocês da Funasa enviarem funcionários, vocês devem falar direito para eles, assim eles trabalharão bem na nossa floresta. Esses que trabalham na nossa floresta yanomami devem ser questionados por vocês.
Acabaram-se nossas palavras.
Assinam:
Geraldo Yanomami conselheiro
Carlita Yanomami
Rafael Wanari Yanomami Professor
Platão Ixarori Yanomami Professor
Ivan Yoroana Yanomami Professor
Carta em Yanomami:
Parawauha malária a tirerayou wei të ã oni.
Kamiyë yamaki urihi pihami malaria kua kõprarioma.
Maxapapi hami xo, etewexipi hami xo, postoha pë përio aheteowei pëxo,
ihi pë yaiha malária a wayuyai ropeyai tirerayoma.
Região Parawa u hami ukuxi nomamare wë pë kuama kure pë kiyaaimi mahi yaro malária kohipi kua kõprarioma. Kamiyë yanomami yama kini Funasa
patamorewë iha ukuxipë xaari nomamai piyëkouwei ihi yama a nakai puhio.
Napë pë kiyaai maoweiha ihi wama pëha ximani kami yë yanomai wamare ki dinheiro pë hai kiai pëonomai.
Kamiyë yanomami yama kini Funasa teri wama ki yaai tëhë yama ki xi topra rou puhio. Funasa wama kini funcionarios wa ma pë ximai tëhë kama pëha wamakia xaarihai kamiyë yanomami yama ki urihi pihami pë
xaari kiyaa pë. Kamiyë yanomami yama ki urihi pihami pë kuowei wama pë
xaari wari.
Awei të ã maprarioma.
Fonte: http://www.proyanomami.org.br/v0904/index.asp?pag=noticia&id=433
NOTA EXPLICATIVA SOBRE A FONTE:
O primeiro levantamento das cartas escritas por povos indígenas, referentes ao período entre 2000 e 2007, foi realizado em 2013. Na ocasião, os documentos estavam disponíveis em sites de organizações indígenas, blogs e outras plataformas digitais mantidas por grupos indígenas. Entretanto, muitos desses domínios deixaram de existir. Atualmente, o único acesso digital consolidado a esses documentos é por meio do sítio Cartas dos Povos Indígenas ao Brasil. Cabe destacar que, especialmente para os anos de 2000 e 2001, algumas fontes originais não puderam ser recuperadas.
SOBRE ESTA CARTA:
A publicação preserva a autoria e a fonte de origem do documento, sempre que essas informações estão disponíveis.
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