Presidente da República
Ministro da Justiça
Presidente da Funai
Procuradoria da República
Ibama
Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados
Administração da Funai – Boa Vista
Hoje no Ajarani 1, nós Yanomami fizemos uma reunião na Maloca Yawaripe, muitos estávamos presentes: 20 Mauxiutheri, 16 Rohahipiitheri, 15 Myaepepiitheri, 15 Maimasipiitheri, 1 Makiupiitheri, 1 Arapariuteheri, 6 Maamapiitheri, 5 Waromapiitheri, 8 Pookohiitheri, 1 Hawarihixopopetheri, 3 Poratheri, 45 Yawarepetheri.
Nós enviamos um documento forte, já enviamos muitos documentos e vocês brancos não querem escutar.
Porque nós defendemos a terra, mandamos um novo documento.
Os tuxauas e as mulheres falaram muito forte, por que todos nós defendemos a nossa floresta e falamos que estamos muito bravos.
Assim nós tuxauas que não queremos na nossa terra nem garimpeiros, fazendeiros, madeireiros e militares.
Estamos falando de novo que não queremos fazendeiros, assim pensamos os Tuxauas, uma fala forte e verdadeira. Nós os moradores da floresta não queremos os fazendeiros, eles estão derrubando e queimando a nossa floresta, plantando capim e introduzindo gado e estamos muito preocupados por que eles dizem que querem matar os Yanomami.
Defendemos a nossa terra desde o igarapé do 30, por isso não queremos fazendeiros no Repartimento, a placa está muito longo de ser vista o fazendeiro Paludo já entrou, também o Miguel, Raimundo, Douglas, Margarida, Paulo, Tereza, Abram, Timbó, Zízero.
Eles estão morando na nossa área e nós estamos muito preocupados.
Vocês brancos os tirem logo.
Líderes Yanomami
Tradução de documento da reunião no Ajarani:
Fonte: http://www.proyanomami.org.br/frame1/conflitos.htm#cauab
NOTA EXPLICATIVA SOBRE A FONTE:
O primeiro levantamento das cartas escritas por povos indígenas, referentes ao período entre 2000 e 2007, foi realizado em 2013. Na ocasião, os documentos estavam disponíveis em sites de organizações indígenas, blogs e outras plataformas digitais mantidas por grupos indígenas. Entretanto, muitos desses domínios deixaram de existir. Atualmente, o único acesso digital consolidado a esses documentos é por meio do sítio Cartas dos Povos Indígenas ao Brasil. Cabe destacar que, especialmente para os anos de 2000 e 2001, algumas fontes originais não puderam ser recuperadas.
SOBRE ESTA CARTA:
A publicação preserva a autoria e a fonte de origem do documento, sempre que essas informações estão disponíveis.
Caso algum autor, comunidade, organização ou titular de direitos deseje solicitar atualização, correção ou remoção de conteúdo, pedimos que entre em contato pelo e-mail cartasindigenas@gmail.com. As solicitações serão analisadas com atenção.